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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Antibióticos são ineficazes para tratar sinusite, demonstra estudo.


Os antibióticos são ineficazes contra a maioria das infecções dos seios nasais, embora com frequência sejam prescritos por médicos, demonstrou um estudo publicado na revista Jama (Journal of the American Medical Association).
"As pessoas que sofrem de sinusite [inflamação da cavidade nasal e dos seios nasais] não se sentem melhor ou apresentam menos sintomas quando tomam antibióticos", disse Jay Piccirillo, professor de otorrinolaringologia da Universidade de Washington em St. Louis, EUA, principal responsável pelo teste clínico publicado na edição de 15 de fevereiro.



"Nosso estudo com 166 adultos mostra a inutilidade dos antibióticos para tratar a sinusite comum, com frequência de origem viral. A maioria das pessoas se recupera sozinha", acrescentou.
Estes médicos compararam um grupo de participantes tratado com antibióticos e um grupo de controle, cujos participantes tomaram um placebo.
Nos EUA, um em cada cinco antibióticos com receita é prescrito para tratar a sinusite, informaram os autores da pesquisa.
Em vista da resistência crescente dos antibióticos como resultado de seu uso excessivo, era importante saber se estes medicamentos são eficazes contra a sinusite, disseram os especialistas.
"Acreditamos que os antibióticos são muito receitados pelos clínicos gerais", disse Jane Garbutt, professora associada de medicina na Universidade de Washington, outra autora do estudo.
Concretamente, os cientistas recomendam, no lugar de antibióticos como a amoxicilina, tratar a dor da sinusite com analgésicos (aspirina, ibuprofeno) e a congestão nasal com descongestionantes.

Fonte: folha.com

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Teste de osteoporose pode ter intervalo de 15 anos, diz estudo.


A osteoporose progride de forma tão lenta que quem faz o primeiro teste e tem resultado normal aos 65 anos pode esperar até 15 anos para a próxima densitometria óssea.
É o que diz um novo estudo publicado nesta semana na revista médica "New England Journal of Medicine".
A pesquisa faz parte de uma iniciativa ampla que vem reavaliando a forma de diagnosticar e tratar a doença, que pode causar fraturas de quadril e vértebras.
A classe de drogas conhecida como bisfosfonatos consegue prevenir fraturas em quem tem osteoporose. Mas os médicos não querem mais que as mulheres, mais afetadas após a menopausa, tomem as drogas para sempre.
Agora, com o novo estudo, os pesquisadores se perguntam também se faz sentido pedir exames frequentes de densitometria para uma maioria que não está nem perto da zona de perigo após o teste inicial.
"A densitometria óssea tem sido exagerada", afirma Steven Cummings, um dos autores do estudo e professor de epidemiologia na Universidade da Califórnia (EUA).



PESQUISA
A pesquisa acompanhou, por mais de uma década, 5.000 mulheres a partir de 67 anos. Logo que foram recrutadas, elas fizeram um exame de densitometria. Nenhuma tinha osteoporose.
Menos de 1% das mulheres com densidade óssea normal no primeiro teste desenvolveram a doença nos 15 anos seguintes. Entre as que tinham densidade um pouco baixa no teste, 5% ficaram com osteoporose depois desse período. No grupo com o pior resultado, 10% ficaram com a doença depois de um ano.
Segundo Joan McGowan, do Instituto Nacional de Artrite dos EUA, o estudo dá provas de que se a pessoa tem densidade óssea normal aos 60 ou 70, não vai ter osteoporose nos próximos cinco anos a não ser que alguma coisa aconteça. Essa coisa pode ser o uso de remédios como cortisona ou ter doenças que afetem os ossos. Mas a médica diz que a recomendação do estudo vale para a maioria.
Segundo o ginecologista Mauro Abi Haidar, chefe do departamento de climatério da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), a pesquisa está em sintonia com achados recentes. "Pesquisas anteriores mostraram que não faz diferença esperar dois ou três anos entre os exames."
A recomendação de tomar remédios para mulheres com densidade óssea um pouco abaixo do normal, condição chamada de osteopenia, também está entrando em desuso.
Hoje, diz Ethel Siris, pesquisadora de osteoporose na Universidade Columbia, a osteopenia é vista como um fator de risco e não como uma doença a ser tratada.
Ela lembra, no entanto, que mulheres ou homens que já sofreram fraturas graves (de vértebras, quadril, ombro, pélvis ou punho) precisam levar a doença a sério e se tratar. "Mas não há risco imediato para quem tem resultados normais nos testes."

Fonte: Folha//: Saúde

terça-feira, 6 de dezembro de 2011



Nova ténica para tratar Aneurisma chega ao país.

Nova técnica para tratar aneurisma chega ao país.

Chegou ao Brasil uma nova técnica para tratar aneurismas e evitar que eles estourem, causando uma hemorragia cerebral que leva à morte em até metade dos casos.
O procedimento, que leva 20 minutos, é feito por cateterismo (é pouco invasivo). O médico insere, pela virilha, um dispositivo parecido com os stents usados para abrir artérias entupidas. O tubo, uma malha de metal, é colocado na artéria do cérebro onde está o aneurisma e desvia o fluxo de sangue. Isso faz a "bolha" murchar.
A primeira operação com o dispositivo foi feita no Paraná, em agosto. Ao menos outras quatro já foram realizadas desde então no país.
O aneurisma é uma bomba-relógio no cérebro. Pode passar anos sem causar sintomas e estourar de repente, causando morte súbita. Até 5% da população tem um.
O problema é causado por uma fraqueza na parede da artéria, que forma uma bolha e vai se enchendo de sangue.
O aneurisma gigante (com mais de 25 mm), caso em que o novo dispositivo é mais indicado, é o que tem o pior prognóstico, segundo o neurointervencionista Eduardo Wajnberg, do Hospital Pró-Cardíaco, no Rio.
Segundo o Wajnberg, a nova técnica é a primeira que trata a causa do problema, e não só a consequência.
Os tratamentos usados até agora são a cirurgia aberta, em que um clipe é colocado para controlar o aneurisma, e o preenchimento da bolha com micromolas de platina. O último é feito por cateterismo, mas pode permitir a volta do problema quando o aneurisma é grande.
O stent é acomodado como um revestimento que reforça a artéria e vai sendo incorporado a ela, diz Wajnberg. "Trabalhos preliminares indicam até 95% de cura depois de um ano."
O neurointervencionista Carlos Abath pondera que ainda não há confirmação dos resultados a longo prazo. O principal risco do tratamento vem do fato de o dispositivo levar seis meses para "fechar" o aneurisma. Nesse meio tempo, ele pode romper.
UMA BOMBA
A vigilante Ilisangela Ribeiro, 30, foi a primeira paciente no país a passar pelo procedimento, no Hospital Santa Cruz, em Curitiba.
Seu primeiro aneurisma rompeu em 2005, quando ela morava em Portugal. "Senti uma dor tão grande, parecia que uma bomba tinha explodido. O pescoço ficou rígido. Meu marido chegou em casa e viu que eu estava tendo um derrame", conta.
"A dor de cabeça intensa pode ser o primeiro sinal de sangramento", diz o médico Alexander Corvello, que operou Ilisangela em Curitiba.
De volta ao Brasil, ela continuou fazendo exames periódicos e descobriu, mais tarde, que tinha outro aneurisma. Pior, o primeiro estava reabrindo. Em agosto, fez o novo tratamento. "Sempre tive dor de cabeça. Depois do stent, não mais."

Fonte: Folha//: saúde.com

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Ex-entregador de carga em bicicleta se tornou dono de grande transportadora - RTE Rodonaves.



João Braz Naves, 61, é dono da RTE Rodonaves, que ele criou há 31 anos a partir de um box de 10 m² alugado na rodoviária de Ribeirão Preto. Na época, ele mesmo fazia entregas com uma bicicleta de carga. Hoje, a empresa é uma das maiores transportadoras do Brasil.
Leia abaixo o depoimento de João Braz Naves:
Nasci em Altinópolis, fui para Minas com 16 anos e só cheguei a Ribeirão Preto aos 19. Antes de montar a Rodonaves, vendi passagem de ônibus por quase dez anos.
Eu era o único bilheteiro, aquele que levava os pacotes para os ônibus. E me perguntava por que as pessoas colocavam encomendas nos ônibus. Isso não saía da minha cabeça e aí descobri que era por causa da rapidez. Só que não tinha o serviço de coleta e entrega a partir dos ônibus.
Como a empresa onde eu trabalhava demitiu vários funcionários, entre eles eu, aproveitei a ideia para montar esse negócio. Era 1980 e eu tinha 29 anos. Arrumei um box pequeno na rodoviária e comecei a fazer entregas sem a bicicleta. Levava tudo nas mãos, nos ombros.
Aí comecei a perguntar nas empresas próximas se eles me pagavam mais para eu entregar as mercadorias dos ônibus diretamente para eles, usando já uma bicicleta.
Eles adoraram porque, assim, facilitava para eles. Então comprei uma bicicleta Brandani, em dez parcelas. Deu três meses e a bicicleta já não dava mais conta.



João Braz Naves, dono da RTE Rodonaves, ao lado da primeira bicicleta da empresa RTE Rodonaves
João Braz Naves, dono da RTE Rodonaves, ao lado da primeira bicicleta da empresa RTE Rodonaves
Eu pegava a encomenda no ônibus e entregava no destino. O negócio foi tão bem que, em três meses, comprei uma Kombi 71 e meu primeiro funcionário assumiu a bicicleta. Nesse momento, comecei a atender Ribeirão Preto quase inteira e até usava a Kombi para entregas na região. Eu já tinha cinco funcionários.
Logo começaram a aparecer empresas de ônibus que me repassavam serviço. A [viação] Santa Cruz entrou na história e colocou um caminhão para eu fazer as entregas. Mais três meses e esse caminhãozinho já era pouco. Viramos sócios.
PEDRAS NO CAMINHO
Contando assim parece que foi tranquilo, mas não foi. Eu não tinha casa própria, tinha três filhos. Em 84, quando minha primeira mulher quis a separação, foi um susto danado. Só que foi assim que percebi que a Rodonaves já estava dando um dinheirinho. Até então, não sabia por que não cuidava disso.
Mais adiante, quando o negócio parecia bem, tive outro susto. Eu me separei também da empresa Santa Cruz.
Essa época foi difícil. De 18 veículos na frota, sobraram só dois caminhões pequenos.
Sem muita estrutura, comecei quase do zero de novo. Arrumamos um caminhão sem baú e jogamos uma lona em cima. Foi um ano com esse caminhãozinho.
De 97 praças que eu fazia antes com a Santa Cruz, tive que começar só com 27. Mas, em menos de um ano, já tinha quase o mesmo movimento de antes.
Arrumamos gente que pegava para fazer entrega até de charrete em algumas cidades. Em 95, tive coragem de comprar dois caminhões zero porque precisava muito fazer outras linhas.
VENDAVAL
Mas antes disso, em 1994 mesmo, teve o grande vendaval em Ribeirão Preto.
As mercadorias ficaram todas molhadas, não tinha mais nada. Fui atrás do seguro, mas não cobria vendaval. Nós pedimos mesmo assim e, graças a Deus, o seguro percebeu a necessidade e pagou.
Acho que me ajudou muito ser honesto porque eu não quis explorar o seguro, só pedi o necessário.
Também procurei os clientes e, por incrível que pareça, muitos aceitaram as mercadorias do jeito que estavam.
A RETOMADA
Todo mundo achou que a gente ia desistir depois disso, mas não foi assim. De 97 em diante, já não usava mais os ônibus como estratégia para enviar as mercadorias.
Cheguei um dia a Goiânia e vi que tinha serviço de sobra, mas não tinha estrutura. Arrumei um barracão e comecei na praça.
Isso faz 14 anos, foi na mesma época que construímos a atual sede em Ribeirão Preto, num terreno que comprei da usina Batatais.
Saímos de uma área de 600 m² para outra de 3.000 m². Daí para a frente foi só festa.

Folha:// Mercado.com

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Cientistas identificam ponto fraco de câncer de mama!


Uma nova pesquisa diz ter mostrado que as mitocôndrias (as usinas de energia das células) são, ao mesmo tempo, a base da existência do câncer e o calcanhar-de-aquiles da doença.
É uma afirmação grandiosa, que ainda precisa de mais estudos para ser comprovada, mas o trabalho coordenado por Michael Lisanti, da Universidade Thomas Jefferson (EUA), traz dados intrigantes sobre a ação dos tumores --um comportamento que tem algo de vampiresco.



Usando amostras de cânceres de mama, cercadas de tecido saudável, não afetado pelo tumor, os cientistas verificaram que as células tumorais aparentemente estavam "sugando" as sadias, usando-as como combustível para suas mitocôndrias.
SINAIS SUSPEITOS
Esses "pulmões" celulares são responsáveis por usar o oxigênio para produzir energia.
Em laboratório, os pesquisadores americanos buscaram, nas células tumorais e nas suas vizinhas sadias, sinais das substâncias produzidas pelas mitocôndrias.
O que eles viram é que, enquanto as células de câncer apresentavam marcas de altíssima atividade das mitocôndrias, as sadias no entorno estavam quase ou totalmente paradas, com pouca ação mitocondrial.
Além disso, as células sem a doença estavam repletas de substâncias químicas que indicavam um "desmanche" celular. Era como se elas estivessem se desmontando e mandando matérias-primas para as células cancerosas.
Por isso, a pesquisa compara a relação entre os dois tipos de célula à interação entre um parasita e seu hospedeiro --com o câncer no papel parasitário, claro.
A estratégia óbvia para acabar com a brincadeira envolveria o uso de drogas que inibam a atividade das mitocôndrias, já que elas afetariam o tumor seletivamente.
Por sorte, esse tipo de remédio já existe, sendo usado contra diabetes, por exemplo. Se o estudo estiver correto, não deve ser muito difícil levar a ideia para os hospitais.
A pesquisa está na revista científica "Cell Cycle".

Fonte: Folha:// Saúde.com.br

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Falha de Memória acontece em qualquer idade; faça o teste!

Esqueceu uma coisa importante? Normal. Qualquer pessoa saudável, em qualquer idade, pode ter lapsos.
"Não existe memória absoluta", diz Iván Izquierdo, neurocientista argentino radicado no Rio Grande do Sul, autor de "Memória" (Artmed, 134 págs., R$ 41,30).
"Brancos" acontecem por motivos comuns: nervosismo, estresse, insônia, cansaço, excesso de informações.



"O estresse faz com que seja liberado o hormônio cortisol, que age no cérebro impedindo a evocação de memórias", explica Izquierdo. São exemplos cantores que se esquecem das letras e estudantes que não se lembram de nada na hora da prova.
Se for crônico, o estresse também pode atrapalhar a aquisição de informações.
"A memória é uma função cognitiva dependente dos processos de atenção. Qualquer coisa que interfira na concentração pode prejudicá-la", afirma Mônica Sanches Yassuda, neuropsicóloga e pesquisadora da USP.
A falta de sono é uma das principais inimigas da boa memória. De acordo com o neurologista Luciano Ribeiro Pinto Júnior, do Instituto do Sono da Unifesp, dormir pouco resulta em perda de atenção no dia seguinte, além de atrapalhar no armazenamento de informações anteriores.
"As lembranças são consolidadas quando dormimos, principalmente no terço final da noite, no sono REM [em que acontecem os sonhos]."
O problema é que muitas pessoas têm cada vez menos episódios de sono REM. "Dormimos mais tarde e acordamos mais cedo. Isso faz com que sejamos privados desse tipo de sono. A longo prazo, isso pode até causar perda irreversível da memória."
O consumo de álcool também pode prejudicar as funções cerebrais de forma irreversível. É a chamada demência alcoólica, diferente daquela "amnésia" que acontece depois de uma bebedeira.
A demência aparece ao longo dos anos e é comum entre dependentes químicos, explica a psiquiatra Carla Bicca, da Abead (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas).
Já a "amnésia alcoólica" aparece uma vez ou outra. "Nem todo mundo tem esse apagão, ele não deve ser comum. Se você tem sempre, é um alerta: ou é mais vulnerável ou está exagerando."
AMNÉSIA PROTETORA
O esquecimento não é ruim. Para a neurologia, é tão importante quanto a lembrança. "Para recordar seletivamente o que interessa você tem que inibir, bloquear ou esquecer certas coisas. É inútil lembrar-se de tudo", diz o neurologista Benito Damasceno, da Unicamp.
A inibição de uma lembrança pode acontecer quando o fato é perturbador ou traumático. "É uma forma de a pessoa seguir em frente", afirma Damasceno.
A amnésia de fatos ruins também é vista pela psicanálise como normal. "Faz parte do equilíbrio da mente deixar alguns fatos no âmbito do inconsciente. Mas, se houver um esquecimento grande, pode indicar um desequilíbrio que precisa ser trabalhado em terapia", diz a psicanalista Giselle Groeninga.
Às vezes, esquecer parece com mentir. Mas, nos casos mais comuns, é tudo culpa do cérebro, que não só não grava com perfeição (daí os lapsos), como nos engana criando falsas lembranças.
Isso tudo só é preocupante quando os apagões são frequentes e interferem no cotidiano -e você se esquece de pagar uma conta, digamos.
Esse lapso é mais comum depois dos 45 anos e pode ser sinal de perda cognitiva, diz a neuropsicóloga Ivanda Tudesco, pesquisadora da Unifesp. "O alerta é a mudança de comportamento: a pessoa que nunca esquecia panela no fogo e passa a esquecer."
Em pessoas mais jovens, é comum que os esquecimentos sejam causados por excesso de tarefas e desorganização. "Passar a usar lembretes e agenda já ajuda. Todo mundo precisa de lembrete, é um recurso saudável e fácil."



SEM RECEITA
Não tem uma fórmula para melhorar a memória. Mas sempre é bom reforçar quegravar um fato depende de concentração e interesse.
"Estar motivado aumenta o tônus cerebral, criando uma situação ótima para que informações sejam registradas", diz Benito Damasceno.
Uma dica é pensar no significado da informação e tentar fazer o maior número de associações possíveis. "Se associarmos vários sentidos, fica mais fácil de lembrar."
Usar as informações várias vezes também faz com que exista mais chances de aquela memória ser consolidada.
Jogos e exercícios de treinamento ajudam, mas não resolvem o problema, segundo a neuropsicóloga Gislaine Gil, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
"Não adianta a pessoa ficar boa em um jogo e continuar perdendo a chave de casa. É mais útil você tentar lembrar antes de dormir o que fez durante o dia do que jogar jogo da memória."
Ela dá algumas orientações de organização. "Faça uma lista do que você precisa fazer no dia, organize a gaveta e a mesa de acordo com o uso dos objetos e guarde coisas que somem (óculos, chave) no mesmo lugar."

Fonte: Folha//Saúde.com

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Automutilação é praticada por um em 12 adolescentes.


Um em cada 12 jovens se mutila, com agressões como cortes, queimaduras e batidas do corpo contra a parede.
Para os que se autoflagelam, a prática é uma tentativa de aliviar sensações como angústia, raiva ou frustração, segundo especialistas. O problema é mais comum entre mulheres de 15 a 24 anos.

Arte
As conclusões são de um estudo publicado na revista médica "Lancet", feito no King's College, em Londres, e na Universidade de Melbourne, na Austrália.
Esse é o primeiro trabalho a acompanhar a evolução da automutilação da adolescência à vida adulta.
Entre 1992 e 2008, foram avaliados 1.802 adolescentes, entre os quais 8% afirmaram ter se mutilado de alguma forma. Ao completarem 29 anos, menos de 1% dos jovens mantinham esse comportamento.
A conclusão dos autores é a de que, na maioria dos casos, o problema se resolve espontaneamente.
Isso não significa que seja dispensável buscar tratamento. Os próprios autores afirmam que, em geral, a automutilação é associada a doenças psiquiátricas como depressão, que podem precisar de atenção médica.
"Se a pessoa começou a se mutilar, merece receber avaliação e tratamento. Não se pode pensar que vai passar", afirma a psiquiatra da infância e da adolescência Jackeline Giusti, do Hospital das Clínicas da USP.
Ela afirma que, como qualquer doença psiquiátrica não tratada, o problema pode se tornar crônico e ficar mais grave. Nesse caso, o tratamento pode ser com psicoterapia ou medicamentos.
"Ao se tratar na adolescência, o jovem pode desenvolver habilidades de lidar com a frustração de outra forma, e as chances de não se mutilar mais são maiores", diz a psiquiatra.
IMPULSIVIDADE
Para Giusti, as conclusões do estudo mostram que o comportamento em relação à automutilação é parecido com o do uso de drogas: muitos experimentam na adolescência, mas só para uma minoria o comportamento se torna um problema crônico.
Segundo Hermano Tavares, professor de psiquiatria da USP, o cérebro passa por transformações importantes da metade da adolescência para o final, que favorecem a impulsividade e a vulnerabilidade para tomar decisões.
"Mais tarde existe um amadurecimento cerebral, mas isso não é sinônimo de melhora do status psíquico. A depressão continua."
Segundo um dos autores do estudo, o psiquiatra Paul Moran, do King's College, se a automutilação segue na vida adulta, o problema se torna mais sério e pode evoluir para tentativa de suicídio.
É raro que a pessoa que se agride procure tratamento sozinha. Parentes costumam descobrir o problema por acaso, segundo Giusti.
Dar broncas ao descobrir que o filho pratica automutilação só piora o quadro, de acordo com a psiquiatra.
"Os pais devem entender que esse comportamento é sintoma de alguma coisa. A mutilação é uma automedicação para a tristeza."

Fonte: folha//saúde.com.br